Capitão Traoré, a última esperança de união africana 🙌🏾

Por estes dias dou por mim a ruminar uma frase de Amílcar Cabral, revolucionário e estratega guineense-caboverdiano, expoente máximo da luta pela independência da Guiné-Bissau 🇬🇼 e Cabo Verde 🇨🇻.

O nosso povo africano sabe muito bem que a serpente pode mudar de pele, mas é sempre uma serpente.
— Amílcar Cabral

Amílcar Cabral (Fundação Amílcar Cabral - página oficial)

A intrigante citação, dita no discurso Um povo que se liberta, no auge da sua luta contra o regime português, estimulou a minha massa cinzenta a procurar significados!

As primeiras pistas surgiram onde eu menos esperava.

Como enfermeiro, trabalho num hospital com profissionais do mundo inteiro, alguns deles do continente negro.

Não passa um dia em que nigerianos, sul-africanos ou sudaneses não me gritem as mais recentes façanhas de um certo capitão.

Nas redes sociais, europeus negros que eu conheço alteraram a fotografia de perfil para a  imagem desse certo capitão.

Videos desse certo capitão enroupando o camuflado em tons areia e a boina vermelha deslizam diariamente pelas minhas redes sociais.

O nosso povo africano tem-me gritado que investigue este Capitão Ibrahim Traoré, Presidente do Burkina Faso 🇧🇫, chefe de Estado mais jovem, e popular, de África.

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O nome Ibrahim Traoré encontrou-me pela primeira vez em janeiro de 2023.

Na altura, atravessava uma fase de extensa leitura pan-africana.

Devorara Os Condenados da Terra ou Pele Negra, Máscaras Brancas de Frantz Fanon, Arma da Teoria de Amílcar Cabral e A Luta de Classes em África de Kwame Nkrumah em coisa de dias.

Os heróis da fase libertária de África preenchiam-me o coração a cada nova frase subversiva.

Era um período da história do nosso continente de que eu muito me orgulhava, uma em que finalmente recuperávamos o nosso destino!

Contudo, cedo me desligaram a magia.

À data, uma das leituras que mais me marcou foi um romance do escritor queniano Ngũgĩ wa Thiong'o.

Um Grão de Trigo, clássico  ambientado no Quénia 🇰🇪 em processo de independência, desmontou a ideia romantizada da independência africana que despontara na minha mente.

A narrativa de libertação gloriosa, onde o povo, unido e heróico, expulsa o colonizador e conquista a soberania provou-se não mais do que a continuidade da dominação — sob novas peles!

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As notícias da actualidade devolveram-me ao século vinte um.

Corria os olhos no The Continent, semanário digital — produzido por profissionais africanos — que me inteira das notícias do continente, e leio o título:

— Burkina Faso expulsa tropas francesas estacionadas no país!    

O país liderado pelo Capitão Traoré solicitara formalmente a retirada das tropas francesas presentes no país, concedendo o prazo de um mês para a saída.

A reposta francesa, pouco depois, congelou os africanos.

Acho que esqueceram de nos agradecer. Não faz mal, isso virá com o tempo. A ingratidão, eu conheço bem, é uma doença não transmissível ao homem. — começou Emmanuel Macron, presidente francês, que continuou — Nenhum dos estados seria uma nação soberana se o exército francês não tivesse sido destacado na região.

Há reencontros que não devolvem o tempo perdido. ⌛️

Há reencontros que não devolvem o tempo perdido. ⌛️

Às vezes, um abraço chega tarde demais para ser inteiro. 💔

Às vezes, um abraço chega tarde demais para ser inteiro. 💔

Recordo-me de acreditar em Macron quando, no rebentar da sua presidência, se deslocou ao continente negro para anunciar uma nova fase das relações entre França e África, prometendo romper com o passado colonial e oferecer uma parceria entre iguais.

Não alcancei na altura que o presidente francês cruzava a troca de pele.

No entanto, durava na mente de Macron a noção de França como tutora, dona de uma suposta legitimidade sobre o destino africano

As duras palavras de Macron provaram acertada a decisão do jovem capitão de romper com o espírito de domínio disfarçado de ajuda, cooperação ou missões de segurança.

Traoré, como soldado que batalhara o jihadismo, entendia que a ajuda externa, a cooperação ou as missões de segurança eram eufemismos para contratos obscuros, dívidas impagáveis e presença militar estratégica.

A ajuda ocidental servia mais para manter influência do que para resolver os problemas reais do continente.

Nem toda a fuga é para melhor. 💨

Nem toda a fuga é para melhor. 💨

Há corações que só batem onde o mundo se esqueceu de olhar. 🖤

Há corações que só batem onde o mundo se esqueceu de olhar. 🖤

Capitão Ibrahim Traorè (PHOTO/Gov't of Burkina Faso)

Outras bases da popularidade do Capitão Traoré incluem:

  • suspensão de licenças de certas multinacionais ocidentais que mineram ouro no Burkina Faso — o país é dos maiores produtores de ouro do mundo —;

  • palavras incendiárias contra a maioria dos líderes africanos — que acusa de explorarem retóricas étnicas herdadas do colonialismo para manter o poder e enriquecer, perpetuando divisões que alimentam guerras civis, instabilidade e tragédias humanas em todo o continente —;

  • discurso fortemente pan-africano.

Dos desertos do Sahel 🐪 às planícies da África Austral 🌾🦓, uma nova geração de africanos mobiliza-se em torno de um capitão que encarna os sonhos de lendas como Kwame Nkrumah 🇬🇭, Patrice Lumumba 🇨🇩, Thomas Sankara 🇧🇫 ou Amílcar Cabral 🇬🇼🇨🇻:

Uma África unida, soberana, por africanos e para africanos!

A voz do Capitão Ibrahim Traoré, acreditamos, fala a nossa língua. 🍾

Contudo, a resistência a essa voz começa a ressoar.

Governos africanos e potências ocidentais alinham-se na tentativa de silenciar o capitão, reservando-lhe o destino de outros líderes que ousaram sonhar.

Recorde-se que Lumumba foi executado por congoleses com apoio da Bélgica e dos EUA.

Cabral foi assassinado por guineenses com apoio de Portugal.

Sankara foi morto por burquinenses com apoio de França.

Nkrumah foi derrubado por ganeses com apoio dos EUA.

Agora, como então, os sonhos de liberdade e unidade africana duram subversivos.

Mas o nosso povo africano também sabe muito bem que batuques e cânticos não se silenciam!

A alegria africana não se silencia!