Albânia e os Sussuros do Passado! 🇦🇱
Setembro. 2023. 01h00.
O avião que me carrega enfim descansa na pista de aterragem.
“Bem-vindos a Tirana! “, anuncia o piloto.
Eu e o Alex Silva, meu parceiro de viagens, deslizamos as malas rumo à capital albanesa, ainda uma cidade estranha há coisa de semanas, altura em que agendámos os voos.
Recordo o espanto a desenhar-se na face das pessoas sempre que eu anunciava o meu próximo destino.
“Porquê a Albânia???”, inquiriam-me os curiosos.
Eu ansiava apagar-lhes a curiosidade. Contudo, a eloquência escondia-se debaixo da minha língua e só me saía:
“Porque não a Albânia?”
Familiares e amigos refutaram a dúvida aludindo à máfia albanesa, única luz sobre o país. 🔪
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No aeroporto, alugámos um carro e rumámos ao hotel.
A nossa visão reduzia-se aos buracos na estrada iluminados pelos faróis.
As ruas — escuras e desertas — acolhiam cães vadios a cada quilómetro. Ladrares raivosos ressoavam nos nossos ouvidos, trazendo-nos uma certeza: não éramos bem-vindos!
Invadiu-me então uma estranha sensação.
Olhei para o Alex.
O Alex olhou para mim.
Não trocámos palavras.
Tanto eu como o meu amigo lemos o pensamento do outro.
Aquelas estradas lembravam os cenários iniciais de filmes de terror e, caso aparecesse algum vilão, aguardava-nos o mesmo destino trágico.
Afinal, encontrávamo-nos no fim da Europa, na escuridão da Albânia— lar da infame máfia.
Foi o primeiro de dois momentos em que hesitámos da nossa escolha.
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O segundo momento surgiu na receção do hotel.
Um estreito corredor amparara o carro.
Estacionado o veículo, a luz do telemóvel clareou-nos as pisadas até uma piscina no meio de dois edifícios.
O da esquerda ligou-nos a um triste salão de festas — como todos o são na ausência de risadas e passos de dança.
O outro edifício apresentou-nos à receção — que não era mais que uma pequena secretária com folhas, canetas e um telefone antigo.
Vazio ocupava o outro lado do balcão.
O Alex lembrou-se de ligar ao número na reserva.
O clicar do seu dedão na tela do iPhone coincidiu com o vibrar da relíquia diante de nós.
Ouvimos então grunhidos.
Pouco depois, sacudido o sono, carregando o ranço de quem era acordado a meio de um sonho, um sujeito de meia-idade, com os mesmos traços austeros dos mafiosos de películas, rosnou umas palavras imperceptíveis numa língua resgatada a filmes de fantasia.
A breve mas longa interação que se seguiu — entre dois jovens portugueses e um velhote albanês — deitou-me na cama com mais dúvidas do que nunca.
“Mas que maluco vem de férias para a Albânia?”, questionava-me enquanto revivia as poucas horas gastas em Tirana.
Há reencontros que não devolvem o tempo perdido.
⌛️
Há reencontros que não devolvem o tempo perdido. ⌛️
Às vezes, um abraço chega tarde demais para ser inteiro.
💔
Às vezes, um abraço chega tarde demais para ser inteiro. 💔
O nascer do dia iluminou-nos de certezas.
Na caminhada pela vibrante Praça Skanderbeg, homenagem ao herói nacional, os olhares dos transeuntes centravam-se em nós.
Mas os albaneses não nos julgavam.
Eram olhares generosos e acolhedores, mas carregadas das mesmas dúvidas:
“Mas o que vocês fazem aqui?”, inquiriam as miradas.
Algo na imagem de dois negros caminhando nas ruas de Tirana, compreendi depois, parecia-lhes uma miragem — algo que julgavam inatingível poucos anos atrás.
A descoberta deu-se no Bunk’Art , antigo bunker tornado museu, que nos imergiu na história política e social da Albânia.
O território pertencera antes aos impérios romano, bizantino e otomano, ganhando sobre este último a independência em 1912, ano da criação da República da Albânia.
O romper das duas guerras mundiais pouco depois testemunharam o território novamente invadido, desta vez pela Itália fascista e Alemanha nazi.
O final da segunda guerra mundial instalou no poder o paranóico Enver Hoxha, que dada a história do território, preparou o país para uma invasão futura.
O regime de Hoxha — cópia mais brutal do Estado Novo — instalou 170 mil bunkers dos majestosos Alpes Albaneses às deslumbrantes praias da Riviera Albanesa.
O regime comunista que governou a nação grande parte do século 20 rompeu com todos os aliados externos, proibiu calças de ganga ou barba, e impedia os albaneses de viajar.
O país, à semelhança da Coreia do Norte na actualidade, congelou-se no tempo até à morte do ditador, em 1985.
Curiosamente, o vácuo no poder e o colapso económico pós queda do comunismo deram à luz à famosa máfia albanesa. 🔪
Nem toda a fuga é para melhor.
💨
Nem toda a fuga é para melhor. 💨
Há corações que só batem onde o mundo se esqueceu de olhar.
🖤
Há corações que só batem onde o mundo se esqueceu de olhar. 🖤
A Albânia que eu conheci é um país magoado pelo passado de domínio externo e posterior isolamento, que o tornou desconfiado.
A Albânia que eu conheci é um país pobre, marcado ainda pela memória viva dos barcos atolados de emigrantes que cruzavam o Adriático, chegando ao destino apenas com a roupa que traziam e o sonho de uma vida melhor. Uma cópia aos dois países do meu coração. 🇨🇻🇵🇹
Mas a Albânia que eu conheci é também a mesma que batalhou e prevaleceu sobre o domínio otomano, a mesma que sobreviveu isolamento e repressão política, a mesma que encara agora o futuro com olhos esperançosos.
É feita de homens e mulheres resilientes, orgulhosos da sua Pátria.
Essa ligação nota-se pelas bandeiras espalhadas pelo país inteiro. 🇦🇱
A cada dez minutos a águia preta de duas cabeças sobre o fundo vermelho intenso balouçava no ar a unidade do país. 🦅
📜 Sentença Emocional da Albânia:
🕰️ Deslumbre Adiado
🗣️ País que ainda não brilha com a toda a luminosidade de que é capaz, mas que me encheu de esperanças para o futuro 🔜